"A cidade é caótica, tem muita gente andando de um lado para o outro e todas as ruas parecem iguais. (...) Bastante assustador a princípio, não quero nem imaginar como seria estar sozinho no meio daquela confusão."
Três semanas depois, um pouco mais calejado, decidi que era hora de enfrentar esse desafio sozinho. Encarar não apenas o centro, mas os apinhados e barulhentos mercados de Dakar. Não poderia dizer que fui ao Senegal se não tivesse me jogado em uma dessas feiras onde se vende tudo o que se possa imaginar.
O comércio no Senegal, aliás, é uma atração à parte. Digamos simplesmente que o camelô é a regra e a loja é a exceção. E se você acha que os vendedores de sinal do Rio de Janeiro primam pela criatividade, precisa ir a Dakar para descobrir que as ruas são um verdadeiro supermercado a céu aberto. Basta pegar o carro, dar uma volta pelo centro e descer o vidro da janela. É a montanha indo aos seguidores de Maomé.
Na minha tarde de aventura pelo centro nervoso da capital senegalesa, anotei todos os produtos que vi serem vendidos pelos ambulantes:
cabides, tapetes, cartões de celular, sandálias, vassouras, bolsas, jornais, óculos, ternos, chapéus, toalhas, casacos, meias, secadores, pilhas, jogos de tabuleiro, lenços, cintos, ovos, lanternas, cachecóis, canetas, relógios, canecas, calças, colchões...
Colchões! Aí eu desisti de continuar escrevendo. Depois de ver um ambulante vendendo colchões, me dei conta de que a lista não acabaria nunca, que a criatividade dos locais era difícil demais de se acompanhar.
Mas nos mercados é diferente, é você quem corre atrás. E é preciso saber onde se vende aquilo que você procura, afinal cada mercado é especializado em uma determinada gama de produtos. Para ajudar quem quiser um dia fazer umas comprinhas em Dakar, deixo uma versão resumida do apanhado de um site senegalês:
1. O maior mercado: Sandanga
2. O mais turístico: Kermel
3. O mais típico: Mercado da estação de trem
4. O mais autêntico: Tilène
5. O mais psicodélico: HLM
6. O mais eclético: Mercado do porto
7. O mais exótico: Casamance
8. O mais simpático: Castors
E esses não são os únicos! Eu encarei o maior de todos, o Sandanga, e saí vivo. Mal fui importunado para falar a verdade, embora admita que não tivesse a intenção de comprar nada e assim procedi. Fui embora me perguntando por que eu tinha ficado tão assustado na primeira vez. Ali eu vi que não só eu fazia parte do caos, como o caos já fazia parte de mim.
E para completar, um vídeo bem curto do caos urbano

muito legal, di! e lindas fotos! :D
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