segunda-feira, 30 de março de 2009
Epitáfio
Minha grande felicidade nesta viagem foi ter recebido muitas 'broncas' por ter parado de escrever. Saber que alguns acompanhavam os posts com prazer e até avidez muitas vezes me abriu um sorriso diante do computador e pagou cada segundo e centavo 'perdidos' para escrevê-los. Afinal, por que alguém gostaria de seguir férias alheias num lugar que nem atraente parece ser?
Por isso queria agradecer cada linha lida por vocês e todos os comentários deixados, esses que não me deixavam sentir solitário durante os 34 dias de pé na estrada e mochila nas costas tão longe de casa. Ainda tenho alguns pela frente, mas nao consigo tirar da cabeça os que ficaram para trás. Se não pude descrever sobre todos os motivos são vários. Dificuldade para achar internet, escassez de tempo livre e cansaço levaram ao atraso e à consequente desmotivação. As cidades iam passando, a Espanha ia passando e eu já nao conseguia mais repassá-los a vocês. É bom que pelo menos terei algumas histórias para contar quando chegar! E de fato há muitas.
Não poderia deixar de agradecer também a todos que mandaram mensagens ou emails pelo meu aniversário, me senti muito querido! E vamos todos comemorar quando eu chegar, preparem o fígado...
domingo, 22 de março de 2009
O Marrocos em poucas linhas
Cidade mais feia: Casablanca
Cidade mais interessante: Marrakesh
O melhor do país: a beleza dos palácios e a variedade de destinos: deserto, praia, montanha, cidades grandes
O pior do país: o povo
Melhor momento: subir uma duna imensa no Saara e chegar ao topo da montanha em Chefchaouen
Pior momento: a travessia de barco para a Espanha
Liçao: nunca confie em ninguém
A conta, por favor
Para começar, o café da manha típico: suco de laranja, pao com geléias e manteiga, panqueca e um tipo de bolo esquisito que parecia de milho. Só faltou o chá
Aí está ele, o famoso chá de menta, instituiçao marroquina. Até eu gostei
O tajine é tipo um ensopado, tem a carne e os legumes cozidos
O cuscus também é acompanhado de legumes cozidos. Acima, espetinho de frango com cominho
Linguiça? Sim, de carne bovina pode. E estavam ótimas!
No Marrocos eu comi os melhores frangos assados da minha vida. E o arroz é quase sempre amarelo
Carne de cordeiro. Já perceberam que as batatas-fritas aparecem sempre?
Cérebro? Nao, obrigado! Mas se voce quiser variar um pouquinho, fique à vontade
Peixe delicioso que comi em Rabat: a diferença que faz ir a um bom restaurante
Kafta, que todo brasileiro conhece, o raro arroz branco e, reparem, uma Coca árabe
Hora do lanche: shawarma, um sanduíche gostoso que os mochileiros adoram
Pizza de carne e pimentao. Nao posso dizer que estava ótima, mas pizza é sempre bom
Acho que o único lugar que serve carne de porco é o Pizza Hut. Pepperoni!
Deixei o melhor para o final. Podem salivar: brownie com sorveteOde aos pulmões
Nao dá para nao se deixar arrebatar pelo vilarejo, uma ótima maneira de fechar a viagem
Tudo azul, mas ninguém nu, as mulheres seguem vestidas até a cabeça 
A grande ilusão marroquina
Mal a criança aprende a andar e já está toda de 'Adidas'. O conjunto com as listras douradas é visto a cada esquina do país, nao importa a idade
Casaco do time italiano Juventus com o escudo de cabeça para baixo à venda nas ruas de Fez. Será que alguém vai comprar?
terça-feira, 17 de março de 2009
Uma experiência antropológica
Meu guia Lonely Planet tem uma foto linda de uma mulher deitada em um hammam maravilhoso, pronta para receber uma massagem, o que eu descobri ser um dos serviços disponíveis nesse tipo de estabelecimento. Esperei, portanto, ficar com as costas bem castigadas pela mochila para que o efeito fosse ainda melhor.
Descobri um hammam em Fez e fui atrás da minha massagem. As mulheres podem usar o local até as 22h00 (o horário varia de um local para outro), mas os homens só podem entrar após todas elas terem saído. Esperei cada minuto passar, apenas pensando nos momentos relaxantes que teria depois.
Paguei 8,50 dirhams para entrar e já sabia que a massagem custaria mais 50 dirhams (menos de 15 reais). Como se tratava de um hammam público, ou seja, não ficava em um riad (um tipo de hotel mais aconchegante, digamos assim), o local era um tanto quanto mal conservado, mas viajantes com orçamento curto estão acostumados a isso. Só comecei a estranhar quando o cara ficou apenas de cueca e pegou uns quatro baldes vazios...
Depois, um dos funcionários me perguntou se eu tinha sabonete ou se queria comprá-lo. Sabonete? Mas eu vou apenas receber uma massagem...
Fui preparado para o desconhecido, estava com a minha sunga e apenas com ela segui para as salas vaporizadas. São cerca de quatro, uma mais quente do que a anterior. Eu esperava uma maca, ingênuo turista ocidental que sou, mas o cara me mandou sentar-me no chão em um determinado canto do recinto, enquanto ele enchia os baldes. Ok, uma massagem com um banho, isso deve ser bom...
Após jorrar a água sobre minha cabeça, o rapaz fez uns 10 segundos de uma massagem extremamente forte nas minhas costas (eu ainda sentado no chão). Depois, meio que espichou/alongou meus braços e então estalou minha coluna, o que até foi bom. Aqui termina o que posso considerar uma massagem tal qual aprendi durante minha vida no Brasil.
O que ele fez depois foi me pedir para que eu ficasse deitado e então começou a esfregar meus braços, pernas e peito com uma luva áspera, de maneira absurdamente forte. Tive a certeza de que ele queria arrancar minha pele para fazer umas babouches, ou talvez umas bolsas, e quase nao podia suportar a dor. O cara me perguntou se estava forte demais, mas por mais que eu estivesse sofrendo, nao queria parecer um turista maricas que nao aguenta nada. 'Está otimo!'
Depois foi a vez das costas, ainda deitado no chão, e por fim os baldes de água sobre a cabeça de novo. Em menos de 10 minutos, tudo havia terminado. Ainda tive que pagar 5 dirhams por uma toalha, já que não havia levado nenhuma por nunca ter imaginado aquilo que tinha acabado de acontecer.
Saí do hammam com alguns dirhams a menos, uma nova experiência de viagem e a descoberta de que 'massagem' em árabe significa 'eu não sei tomar banho sozinho'.
Um pouco cansado
Rabat e Meknes, as outras cidades imperiais.
Eu havia reservado tres dias para Fez, que eh conhecida como a capital religiosa do Marrocos, mas resolvi cortar um para chegar antes a Chefchaouen, que me parecia uma cidade muito diferente do que eu ja havia visto por aqui. Nao poderia ter feito melhor, como voces vao ver!
segunda-feira, 16 de março de 2009
O Marrocos é um país maravilhoso, onde todos são felizes
Estava eu voltando ao meu hotel em Meknes, quando me deparei com um pequenino e inofensivo protesto de umas mulheres. Achei graça, tirei duas fotos e segui meu caminho. Mais à frente, fui interrompido por gritos de um cara alto com um walkie-talkie à mão. Voltei meu olhar e ele começou a falar em arabe comigo. Disse que nao falava a língua e entao ele perguntou em frances:
- Por que voce tirou fotos?
- Porque eu sou turista, eu tiro foto de tudo.
- Voce acha que soh porque eh turista pode sair tirando foto assim de qualquer coisa? O que voce pretende fazer com essas fotos?
(aqui me deu vontado de fazer uma piada, mas o cara estava realmente nervoso)
- Humm... provavelmente colocar em um album..?
- Nao, voce vai ter que apaga-las!
- Ok...
Apagadas as fotos, o cara mandou eu sair dali e eu nao pensei duas vezes!
A herança de César
Meknes nao eh uma cidade tao legal quanto suas co-irmãs. Existem alguns bons lugares para se visitar na medina, mas infelizmente nao consegui me identificar com o lugar, que me serviu mais como base para ir às muito faladas ruínas romanas de Volubilis.
A maneira mais fácil e barata de se chegar ate lá eh pegndo um grand taxi, um tipo de taxi que voce divide com outras (cinco!) pessoas. Sao sempre mercedes muito antigas, que talvez um dia tenham vivido tempos de gloria. Hoje, servem apenas para transportar os marroquinos mais pobres ou turistas sem dinheiro como eu.
Por 10 dirhams (quase 1 euro), fiz a viagem de 30 minutos ateh Moulay-Idriss, um vilarejo nas montanhas, que fica proximo das ruínas. Pedi para saltar na bifurcação para Volubilis porque o guia Lonely Planet disse que era possível fazer uma 'agradável' caminhada de 45 minutos ateh lá. A outra opção era pagar 360 dirhams para um taxista me levar e me esperar para a viagem de volta. Ok, caminhemos entao!
O problema eh que o sol marroquino nao alivia nem mesmo no inverno. Sob um calor inclemente, segui a estrada em um trote forte rumo a Volubilis e apos 30 minutos cheguei à reta final, uma descida de uns 150 metros de onde se pode avistar as ruínas. No Brasil podemos dizer que 'para baixo todo santo ajuda', mas como no Marrocos nao existem santos, nao havia a quem recorrer. Ou melhor, havia sim. Ali, encontrei um senhor vendendo diversas coisas, como alguns objetos de ceramica, e fui atras de uma garrafa d'agua para comprar.
Porem, ele pensou que eu apenas estivesse pedindo por um gole e me ofereceu uma caneca da sua propria reserva, afinal, como me contou, era ali que ele habitava. 'Eu nao tenho agua mineral, tenho apenas agua natural'. Acho que isso queria dizer que ele pegava a agua em algum rio ou algo parecido, mas àquela altura do campeonato minha sede era tao grande que pouco me importava que tipo de agua era aquela. E alem do mais, o senhor estava sendo muito simpatico de me oferecer sua propria agua em troca de nada (dessa vez, realmente era um simples favor! Ele sequer perguntou se eu queria comprar algo). Saí de lá feliz como poucas vezes havia me sentido na viagem e desci os metros finais com a energia redobrada.
Em cerca de uma hora, talvez um pouco mais, voce percorre todas as ruínas de Volubilis. Acho que eu nunca tinha visto tao de perto o alcance e a grandiosidade do Imperio Romano. Existem trabalhos em mosaico preservados no chao do local que sao realmente interessantes. Logico que eu era o unico viajante solitario por ali, os outros eram quase todos europeus bem mais velhos em grupos enormes com guia, onibus luxuoso e tudo mais que o euro pode pagar. Ao brasileiro restava escutar de butuca um pouco das explicações!
Na volta, tentei em vao arrumar uma carona. Tive que encarar o longo caminho de volta ateh Moulay-Idriss para pegar o grand taxi da volta. Tudo bem, morei a vida inteira em uma ladeira, nao era agora que eu ia esmorecer. Correndo em alguns momentos, consegui chegar apos 25 minutos e muito suor no corpo. A temperatura certamente girava em torno de 35 graus e a subida nao eh para qualquer um. Mas esse eh o preço a ser pago por um mochileiro, que pelo menos pode apreciar o visual extrememente verde que ladeava a estrada.
Eu planejava passear por Moulay-Idriss, um tipo de vilarejo sagrado do Marrocos, mas apos subir bastante acabei desistindo. Para uma cidade sagrada, o lugar poderia ser melhor cuidado. Com tanto lixo pelas ruas e falta de sinalizacao, tomei meu caminho de volta a Meknes.
domingo, 15 de março de 2009
Um dia de sultão
O riad Marhaba (http://www.riadmarhaba.blogspot.com/) pertence a um jovem casal de franceses muito simpaticos, que moram e trabalham no pais como professores. O rapaz me deu um mapa da medina e me indicou todos os lugares aonde eu deveria ir e como fazer para chegar. A medina da cidade nao eh complicada, mas a ajuda foi realmente muito bem-vinda. O riad eh otimo e tem um terraço com uma bela vista.
Na hora do almoço, tambem nada de economizar. Fui a um restaurante onde se podia notar nas outras mesas os empresarios ou politicos marroquinos discutindo seus negocios, enquanto um funcionario ao fundo tocava jazz no piano. Pedi ateh sobremesa, um sorvete de cafe com um brownie maravilhoso, e a conta saiu 240 dirhams (algo em torno de 70 reais). Uma vez na viagem dah para fazer isso!
Nao sei se o dia de rei no Marrocos foi fundamental, mas eu realmente gostei de Rabat. Capital apenas desde 1956, quando o país se desvencilhou do domínio frances, a cidade eh calma e organizada. A influencia europeia aqui eh talvez mais perceptivel do que em qualquer outro lugar e a populacao incorpora a modernidade na cultura e, logo, no visual. Mulheres com luzes nos cabelos e com roupas de marcas internacionalmente conhecidas desfilam pelas ruas com ares de quem sabe que eh vanguarda.
O mais curisoso em Rabat, porem, foi um equivoco constante dos marroquinos. Por diversas vezes, pessoas vinham falar comigo em arabe e eu tinha que pedir uma 'traducao' para o frances. No Saara eu descobri que me pareço um berbere, uma etnia do país, e nao lembro em nada os arabes. Portanto, o proximo que falar que tenho cara de arabe vou chamar de ignorante!
Falando futebolês
Como brasileiro, nao posso deixar de comentar sempre que posso sobre futebol. Os nomes sao logo listados com entusiasmo, Ronaldinho, Robinho, Adriano e Kaka, o preferido de todos com quem conversei. Os mais velhos ainda lembram Romario e ateh Rivaldo, que sempre foi meio que um paria na selecao e hoje, apesar de ter ajudado o Brasil a ser pentacampeao, continua um tanto menosprezado pela memoria coletiva brasileira.
Mas nao tem jeito, o que os marroquinos gostam mesmo eh do futebol europeu, principalmente o espanhol. Eles amam o Barcelona e o Real Madrid, por isso Messi e Eto'o tambem sao muito venerados. Bandeiras, camisas, meias, casacos, tudo que se possa imaginar sobre ambos os times eh vendido nos souqs (lojinhas) do país. E nao eh nem preciso dizer que todos os produtos sao tao legitimos quanto uisque paraguaio.
O que vale para eles eh demonstrar tal paixao. Em Rabat, o Barcelona jogava pela Liga dos Campeoes contra o Lyon e os marroquinos se apinhavam em um cafe para torcer pelo time espanhol. E quando se fala em torcer no Marrocos, vale gritar e vibrar como se se estivesse no estadio. Eu consegui no maximo passar um pouco da porta, o suficiente para acompanhar o final da vitoria de Messi e cia. Alguns passantes tentavam entrar, mas como nao conseguiam me perguntavam alguma coisa em arabe. Eu presumia que era o resultado e mostrava o 4 x 2 com a mao seguido de um 'Barçá'. Findo o jogo, o povo deixava o cafe feliz, bradindo e erguendo acima das cabeças uma faixa do Barcelona.
Tive a oportunidade de bater bola duas vezes com grupos de crianças. Dizia que era brasileiro e era prontamente correspondido com sorrisos. Em Marrakesh, me colocaram no 'Barcelona' (o time era eu e um outro garoto), que jogava contra o Real (outros tres moleques). Foi divertido, mas acabamos perdendo por um gol. Com a imagem do Brasil um pouco prejudicada, retribuí a diversao com goles da minha recem-comprada garrafa d'agua, que os pequenos craques marroquinos bebiam com entusiasmo agudo.
Voce pode pedir para jogar um pouco, mas ateh as crianças podem te cobrar algum dinheiro
sexta-feira, 13 de março de 2009
Um ateu na mesquita
Casablanca eh o grande polo economico e industrial do Marrocos e, portanto, uma cidade grande e poluida. Nada lembra a Casablanca romantica do famoso filme homonimo e, para desgosto dos visitantes desavisados, Ingrid Bergman e Humphrey Bogart nunca pisaram aqui, afinal o longa de 1942 foi todo rodado nos estudios de Hollywood.
Relatos na internet alertam os estrangeiros para a insipidez local e muitos desistem de incluir a cidade no roteiro. De fato, Casablanca nao eh turistica e isso tem seu valor: voce eh felizmente ignorado nas ruas, que alias sao muito sujas. Eh como se voce caminhasse pelas areas mais abandonadas do Centro do Rio, com predios velhos e mal-conservados. Uma piada local entrega a fama: os marroquinos costumam dizer 'isso eh mais velho do que Casablanca!'
Eu vim apenas porque nao podia deixar de conhecer a terceira maior mesquita do mundo, a Hassan II. Ela perde apenas para uma que fica na cidade de Medina e a maior de todas, logico, em Meca (ambas na Arabia Saudita) e o melhor de tudo eh que ela eh uma das poucas que permitem a entrada de nao-muçulmanos.
Como eu cheguei quase às 2h da manhã na cidade, queria apenas um chuveiro e uma boa noite de sono e foi exatamente isso que consegui no hotel que tinha reservado. No dia seguinte, fui visitar a mesquita, onde voce soh pode entrar com guia (120 dirhams, cerca de 11 euros). Logo se formam os grupos para ingles, alemao, frances ou espanhol. Eu cheguei em cima da hora, perdi o grupo do espanhol e fiquei no de ingles, curiosamente o menor de todos. 90% sao europeus entre 45 e 65 anos, ou seja, a galera com dinheiro. Eu era a unica ovelha desgarrada, sozinha. Jovem entao, nao lembro de ter visto algum.
Números que impressionam
A mesquita foi construida apos uma promessa do rei que a nomeia. Hassan II, pai do atual governante Mohammed V, havia na verdade anunciado a construção de um grandioso mausoleu para homenagear o seu pai (avô de Mohammed V). Mas depois resolveu faze-lo em Rabat, a capital, para que ficasse proximo dele. Como forma de se redimir, ele entao mandou erguer a fabulosa mesquita em um local onde soh havia o mar.
O guia vai enumerando todas as dimensoes do monumento e tudo que consegui guardar eh que foram necessarios 78 engenheiros e o engenheiro-chefe era frances. Foram trazidos granito de Portugal, marmore do Saara e artistas de todas as cidades imperiais para os detalhes mais impressionantes. Apos apenas 6 anos, em 1993, estava pronta a mesquita Hassan II, com um minarete de 200 metros de altura e um farol que alcança um raio de 35 km, avisando aos muçulmanos das cidades proximas o horario da ultima oraçao.
A visita dura uma hora e vale cada dirham pago. Eu gostei muito, achei ate mais legal do que o deserto e fiquei feliz por ter incluído Casablanca no meu roteiro. Mas era só o que eu tinha para fazer aqui, Rabat me esperava.
A mesquita eh tao grande que eh necessario caminhar um pouco para conseguir enquadra-la na foto. Mesmo assim, soh ficando pequenininho para aparecer tambem
O Gianecchini do Marrocos ataca novamente (ou é atacado...)
Eu fui ficando tenso, ja imaginando como seria perder o trem, o quanto de dinheiro e tempo isso me custaria. Acho que o motorista nao era muçulmano, era budista ou algo parecido, porque a forma como ele conduzia o onibus era numa paz e calma, que nao contribuiam para o meu problema. Enquanto íamos a uns 50km/h, o ponteiro do relogio corria a uns 120km/h. Quando chegou 20h30, parecia que estavamos muito perto, mas a rodoviaria nao chegava nunca! Foram mais cinco torturantes minutos para o onibus entao entrar na garagem.
A essa altura eu ja estava quase na porta com tudo à mao para ser o primeiro a sair e pegar o mochilao no compartimento de bagagens. Feito isso, saí correndo em direcao aos taxistas, que queriam me cobrar 20 dirhams para ir à estação de trem que estava a duas quadras. Meu plano inicial era ir andando, mas como estava atrasado disse que aceitava pagar 5 dirhams. Apenas um taxista topou e eu nao precisava de mais. Tres minutos depois, estava na belissima estação de trem de Marrakesh.
Morrendo de fome, nem consegui pensar em comida, queria apenas embarcar. A primeira classe é otima, sao varias cabines com seis confortaveis poltronas cada. Se algum dia voce for ao Marrocos, nunca ande na segunda classe. Eles vendem mais passagens do que o numero de assentos, entao muitos viajam em pé. Mesmo que voce consiga se sentar, vai se sentir mal de ver mulheres e idosos chacoalhando ao seu lado enquanto voce está confortavelmente (ou nem tanto) instalado.
Eu estava dividindo minha cabine com uma mulher de uns 50 anos e o filho (ou neto, sei lá) de uns 2 anos. Ela até trocou a fralda da criança e tudo que eu posso dizer é que isso nao foi lá muito agradavel. Descalço e com meu iPod nos ouvidos, me preparava para dormir, quando, após uns 10 minutos de viagem, uma garota apareceu no corredor e me chamou.
Quando cheguei na cabine dela, vizinha à minha, ela me perguntou alguma coisa em arabe. Disse que só falava frances e entao eu descobri que ela queria minha ajuda para desligar o ar-condicionado da cabine. Após dizer que nao sabia como faze-lo e explicar que era minha primeira vez num trem marroquino, ela e a amiga começaram a rir. O papo começou e, quando vi, ja estava sentado com as garotas contando da minha viagem e perguntando tambem sobre elas.
A que havia me chamado tinha 19 anos e para os padroes do país era ate bonita. A outra tinha 20. Eram jovens marroquinas pouco religiosas; nao usavam véu nem rezavam cinco vezes por dia. Bebiam alcool, fumavam e devoravam revistas de fofocas. O mais importante: nao tinham bidode!
Foi a melhor coisa que poderia acontecer. Cansado das duas viagens de onibus do dia, a companhia fez o tempo voar e eu nem senti as 4 horas de trem. Aprendi um pouco de arabe, provei uns salgadinhos (eu chamo de biscoito, mas tudo bem) esquisitos e perguntei bastante sobre habitos culturais.
Na hora de tirar fotos, a velha cantada! A bonitinha falou em arabe que a foto tinha ficado boa e entao me ensinou a palavra 'bonita'. Logo depois, acrescentou 'como voce' (atenção, nao é o verbo comer!). Agradeci e sugeri um almoço em Rabat, que era aonde elas iam e tambem meu destino apos Casablanca. Entre encontros e desencontros, nao nos revimos e acabei ficando apenas com mais uma historia para contar.
quarta-feira, 11 de março de 2009
Um pouco de praia para aliviar
Eh possivel ir ate a medina andando e, passando por ela, chegar ao porto, que eh a melhor parte da cidade. As dezenas de gaivotas a todo tempo sobrevoando o porto fazem a alegria dos turistas, que nao resistem a fotografa-las. De fato, os passaros, os barquinhos azuis, a fortificação francesa e o vai-e-vem de pescadores compoem uma paisagem bonita e relaxante.
Esqueça o ritmo frenetico de Marrakesh, Essaouira eh dos hippies, dos windsurfistas e dos marroquinos mais despreocupados. Passear pela medina nao eh tao incomodo, o assedio dos vendedores eh muito menor. Aqui voce eh abordado por pessoas que querem te arranjar um hotel e por ofertas discretas de haxixe (afinal, aqui existe todo um publico-alvo). Nenhum drama quanto a isso, basta recusar uma vez e eles nao perturbam.
Alem do porto, a grande atração da cidade eh a fortificação francesa, que serviu de cenario para a adaptação de Orson Welles para Othello, de Shakespeare. A muralha aparece no inicio do filme (1952), premiado com a Palma de Ouro no Festival de Cannes. A visita custa 10 dirhams e a subida em uma das torres garante uma bela vista da cidade e do Atlantico.
Para almoçar, existem barracas na entrada do porto onde sao servidos os peixes recem-saidos do mar. Eu pensei que isso seria uma alternativa barata, mas na verdade o local eh um ima de turistas e o preço cobrado nao me pareceu justo. Os peixes ficam expostos como se fosse numa feira (cada barraca tem sua propria variedade) e voce deve escolher o que quer comer.
Como eu estava sozinho, nao podia escolher um pouco de cada coisa porque sairia muito caro, entao pedi um dourado (mas eles têm de tudo). Entao o peixe vai para a balança, o vendedor diz o preço e aih começa a negociaçao. Soh na terceira barraquinha eu cheguei a um valor razoavel e o dourado foi para a grelha. Para acompanhar, apenas uma salada, nada de batata-frita ou arroz. Depois, vendo os cardapios dos cafes proximos ao porto, descobri que poderia ter pago o mesmo por mais.
No final das contas, meu peixe soh tinha o gosto de queimado da grelha.
segunda-feira, 9 de março de 2009
Por que os muçulmanos não bebem?
Era uma vez um iman (o padre do islamismo) de uma pequena cidade. Na religião islâmica, os fiéis não podem namorar com ninguém antes do casamento, mas esse iman vivia sendo tentado por uma mulher da região, que o desejava muito. Certa vez, após um momento de oração na mesquita, a mulher disse ao iman que estava passando muito mal, então ele resolveu levá-la para a casa dela, que ficava próxima dali.
Ao chegar lá, a mulher trancou o iman e disse que ele tinha três opções:
- beber álcool
- dormir com ela
- matar a criança que vivia na casa
Se ele não aceitasse, ela de qualquer forma diria para todo mundo que ele havia feito aquilo tudo. O iman então resolveu beber álcool, mas ficou bêbado e acabou dormindo com a mulher. Para completar, matou a criança com medo de que ela contasse o que havia acontecido ali. Ou seja, o cara conseguiu fazer o estrago completo...
Ok, a história tem vários pontos questionáveis, mas no momento não cabe a mim criticá-la. Deixo os comentários abertos para vocês!
E no Saara... chove!
Após Ouarzazate, visitamos a Garganta de Dades, uma interessante formaçao rochosa que, como toda garganta (eu acho!) é formada por milhoes de anos de erosao fluvial. Mais dez minutos de carro e estamos no hotel, onde jantamos e passamos a noite.
No segundo dia, saímos cedo para pegar mais estrada rumo ao deserto. No caminho, paramos na Garganta de Todra, muito mais legal do que a de Dades. Por ser bem mais estreita, causa um impacto maior no visitante, que pode caminhos por entre as duas enormes paredes de pedra (cerca de 200 metros de altura cada uma). É possível ver alguns alpinistas fazendo escalada e dar graças a Allah que voce está no chao.
Roubaram a cereja do bolo
Após um dia inteiro de estrada, a chegada ao grand finale do passeio é bem excitante. As dunas do deserto iam se aproximando no horizonte e eu só pensava na marchinha 'atravessando o deserto do Saara /o sol estava quente e queimou a nossa cara'. Sol?
Tudo o que havia no céu eram nuvens. Pelo menos tinhamos uma 'MAGICA' viagem de camelo pelas dunas. Momento Wikipedia: essa tradicional figurinha facil do deserto pertence à familia Camelidae, da qual tambem fazem parte os camelideos sul-americanos (lhama, alpaca, guanaco e vicunha). Acho que meu camelo saariano nem percebeu, mas eu tive a oportunidade de comer dois primos dele na Bolivia e no Peru, a lhama e a alpaca.
Pegamos os animais e partimos em uma leeeenta caravana. O melhor que eu posso dizer a quem um dia quiser fazer esse passeio: nao é confortavel. A rota dura uma hora, o suficiente para voce deixar de lado o fascinio de estar no Saara e só desejar que o acampamento chegue logo. Como estava nublado, ficamos sem o prometido pôr-do-sol espetacular. Para completar, o camelo balança muito e isso torna o prazer de fotografar uma tortura. Raramente a foto nao sai tremida, mesmo com uma maquina boa como a minha e isso vai te frustrando de uma maneira tal que chega a irritar (ja nao bastasse a ausencia do sol, que deixaria as fotos com uma luz espetacular).
Outra decepcao foi a quantidade de vegetacao nas dunas. Varios tufos de planta nao permitiram o que eu imaginava que seria uma areia imaculada, um horizonte todinho laranja (mais do que amarelo). Para completar a 'farsa', começou a pingar no meio do passeio! Só faltava essa, um deserto em que chove!
Noves fora minhas reclamações, é bacana estar ali. Quando chegamos ao pequeno acampamento berbere, deixamos a mochila e fomos todos, como turistas bobos que somos, correr duna acima. Cansa muito, o pé vai afundando na areia finíssima e atrapalhando o impulso, mas o visual lá de cima é muito legal. Infelizmente, nao tivemos uma noite estrelada como eu e todo o grupo esperávamos, mas nao adianta ficar reclamando, vale mais curtir o momento. Os nossos guias berberes fizeram uma pequena apresentação com um tambor chamado tan-tan (que nao tem nada a ver com o tan-tan brasileiro) e depois fomos dormir.
No dia seguinte, saímos cedo de volta ao carro e enfim pudemos apreciar o jogo de luz e sombra provocado pelo sol nas dunas. Doze horas depois, eu estava em Marrakesh de novo.
A foto que todo turista gosta de tirar e que o sol enfim permitiu
Rock the Kasbah
Como está descrito no roteiro de viagem que eu postei no dia 3 de março, fiz eu tour de tres
dias pelo sudeste do Marrocos para conhecer algumas das belezas naturais do país. O albergue se oferece para fazer o meio-campo entre o turista e a agencia de viagens, mas eu resolvi correr atras por conta propria por motivo$ obvio$. A viagem completa custava 950 dirhams (87 euros), mas eu barganhei e consegui pagar 80 euros (o que sai quase 100 dirhams a menos!).
Nosso grupo era formado por:
um brasileiro (eu, claro)
um marroquino (turista mesmo)
um casal de australianos
um britanico
uma britanica, filha de equatorianos
uma italiana
dois japoneses
uma japonesa
um malaio
um casal de alemã com frances
TOTAL: 13 pessoas, 9 nacionalidades, 5 continentes
A estrada eh (me desculpem, mas tah dificil colocar acento) muito bonita, no inicio contornando um vale com montanhas nevadas ao fundo e mais para frente rasgando a imensa paisagem desertica, onde a vista nao eh capaz de ir alem do horizonte e voce se sente realmente no meio do nada.
A primeira parada oficial do passeio eh em Aït Benhaddou, que estah na lista de patrimonios mundiais da Unesco. Trata-se de uma kasbah, um tipo de cidadela antiga aue parece uma fortaleza. Eh bacana, mas nao tem muita coisa para ver, mas pelo menos nao eh cheio de turistas como eu esperava. Para falar a verdade, voce quase nao encontra ninguem no caminho ate o topo. Nesse local foram filmadas cenas do 'Gladiador' (entre o inicio e o meio do filme, quando ele ainda nao eh um lutador conhecido).
A Hollywood árabe
Por falar em cinema, Ouarzazate, a parada seguinte, abriga dois estudios de cinema. Os franceses a usavam como controle da rota de comercio da regiao, portanto eh muita mais ampla e organizada do que os vilarejos marroaquinos ou ate mesmo uma grande cidade como Marrakesh. Alem do mais, o estudio que filmou 'Gladiador', colocou um bom dinheiro na cidade. Para completar, o atual rei do Marrocos tem como um dos planos de governo investir no potencial turistico da regiao. Tudo isso eh perceptivel nas ruas da cidade, que no entanto serve mais como parada estrategica do que propriamente como atraçao turistica.
Vou ter que parar por aqui porque a lojinha estah fechando. Depois conto como foi andar de camelo e dormir no deserto, mas ja adianto que ficou faltando uma coisa...
Nesta terça, faço um passeio bate-e-volta a Essaouira, uma cidade de praia que parece ser bem agradavel. Retornando a Marrakesh pego direto o trem para Casablanca. Vou tentar escrever, mas talvez seja dificil.
obs: eh um pouco dificil postar fotos, porque elas sao muito pesadas e a internet aqui nao eh lah um primor. Mas às vezes eu coloco algumas em posts anteriores, portanto fiquem de olho.
sexta-feira, 6 de março de 2009
Praticamente a ONU
Nessa brincadeira, já fui confundido com espanhol (o mais comum), francês, mexicano, marroquino e indiano (!!). Brasil eles nunca falam, apesar de já ter encontrado alguns compatriotas por aqui. Teve um cara que perguntou de que região da França eu era e eu tomei isso como um elogio ao meu francês. Agora, quando eu ouvi 'Mérrico' nao resisti e caí na gargalhada.
Arrasando corações
Uma das grandes desvantagens de viajar sozinho é nao ter ninguém para tirar fotos de você. Por isso, volta e meia estou apontando a máquina para mim mesmo ou estou montando o tripé emprestado pelo meu amigo Fabrício. Esse último, principalmente, chama muita atenção tanto de locais como de turistas. Nao sei se eles ficam com pena de mim ou acham legal.
Em um desses momentos, uma garota (marroquina, eu presumo) de uns 15 anos ficou olhando muito e eu resolvi ser simpático e mostrei a foto que tinha tirado, perguntando se ela estava boa. Aí ela vira e manda na lata: 'Você é muito bonito'. Eu achei tão estranho, que achei que ela estivesse falando da foto e perguntei se era isso, mas a menina confirmou que era eu mesmo. Fiquei envergonhado, mas agradeci e pedi para tirar umas fotos dela e dos amigos, o que incrivelmente eles aceitaram. Enfim, um momento de troca positiva com os marroquinos.
obs: estou sentindo falta do comentários de algumas pessoas aqui!
quinta-feira, 5 de março de 2009
A medina
Após cerca de 40 minutos, algumas voltas em círculo e muitas vielas, cheguei. Eu fiquei emocionado, porque a medersa fica num canto perdido, muito escondido! Mas depois que você acha um, acha todos, é tudo quase um do lado do outro. Eu aconselho a quem um dia visitar Marrakesh tentar fazer o mesmo, se lançar nas vielas em busca de algum determinado lugar. É uma boa maneira de conhecer a cidade. Minha dica é tentar memorizar alguns locais pelos quais você passa, porque, se andar por ali de novo, vai saber que deu uma volta. Entao, fique atento a tudo que te rodeia e vai mapeando o caminho na sua cabeça (em grupo é ainda mais fácil porque cada um lembra de uma coisa). E ignore sempre os falsos guias, eles só querem o seu dinheiro.
Se você nao quer ficar se perdendo na medina (seja por falta de tempo, seja por falta de paciência) e quiser pagar a alguem para te levar a algum lugar, combine o preço antes! Após a manhã toda caminhando por conta própria, eu resolvi aceitar uma visita guiada a um curtume (tannerie, em francês: lugar onde eles limpam o couro, deixam curtir e tingem), porque eu acho que ninguém entra nesses lugares sozinho. Acabei pagando um cara, que me levou até um curtume e me entregou a outro homem. Ali eu vi que ia morrer numa grana, porque teria que pagar duas pessoas.
Nao adianta, dificilmente você é esperto no Marrocos. Grave isso: você é sempre um turista! Esse segundo cara me mostrou o curtume, me explicando em um inglês praticamente incompreensível! Dali, fomos a outro curtume e no caminho ele me deu um ramo de hortelã para cheirar durante a visita, porque esses lugares são realmente muito fedorentos (afinal, é pele de camelo, boi, cabra, carneiro e outros animais num só lugar). Depois desse curtume ele me empurrou para a lojinha, claro, onde se vendem os produtos feitos de... couro! É tudo um esquema só. Na saída, o guia me cobrou 200 dirhams (20 euros)!!! Uma coisa absurda, mas eu fui garoto de nao combinar desde o início e essa malandragem de te ficar passando de um para outro deixa qualquer turista rendido.
Eu nao podia fazer muita coisa, afinal já tinha feito o passeio. Negociei por muito tempo com o malandrinho, pedi que pelo menos ele me levasse de volta à praça, mas ele só ficava repetindo 'thank you' (???) e balançando a mão à espera do dinheiro. E lá se foram minhas notinhas...
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Curiosidade do dia: os muçulmanos são tão devotos que até na estação de trem existe uma sala reservada apenas para rezar (sempre em direção a Meca, claro). Eles têm que fazer cinco orações por dia. Mais pra frente eu vou me arriscar a falar um pouco sobre religião no Marrocos.
Saudade dos latinos
As mulheres mais jovens me parecem vaidosas. Pude perceber que muitas delas usam lápis nos olhos e têm uma preocupação grande em modelar as sobrancelhas (a ponto de algumas ficarem um tanto esquisitas). O que me surpreendeu foi o fato de elas olharem fixo para turistas como eu, já que eu esperava que elas andassem mirando o chao. Acho que até agora só tive contato com uma marroquina na hora de comprar meu tour pelo deserto. Ela foi muito simpática, o que nao é muito comum por aqui. O povo nao chega a ser grosso nem nada, mas passa longe do acolhimento e da alegria dos latinos.
Quando eles abrem um sorriso, geralmente é porque você gastou dinheiro em alguma coisa ou pretendem que você o faça. Me parece uma simpatia 'comprada'. A impressao que o povo me passou é de que eles estao sempre esperando uma oportunidade para faturar em cima de você, o que é um pouco compreensível num país pobrem, é a sobrevivência deles. Mas essa sensação incomoda a ponto de você nunca pedir a mais básica das informaçoes por temer que ela venha acompanhada de uma mao estendida em forma de concha.
Nao posso generalizar, porque só conheço uma cidade do Marrocos e estou aqui há apenas dois dia. Nao quero colocar nada na conta do islamismo, nao sei se eles sao mais fechados por causa da religiao e tal, mas nao vi nada parecido com isso na Argentina, Bolívia ou Peru.
Foto de um vendedor numa barraca de comida (tirada escondido para nao ter que pagar nada!)
Momento Zeca Camargo
1. Fès-El-Bali - a parte antiga da cidade de Fez
2. Meknès - a cidade
3. Volubilis - pequena cidade com ruínas do Império Romano
4. Medina de Tetouan
5. El-Jadida - a cidade
6. Medina de Essaouira
7. Medina de Marrakesh
8. Aït Benhaddou - cidade fortificada no sul do país
Apenas nao conseguirei visitar os números 4 e 5.
quarta-feira, 4 de março de 2009
E eu achando que era malandro...
Estava achando tudo tranquilo até ter que encontrar meu albergue Equity Point na labiríntica medina. Munido de um mapa do site do próprio albergue e uma folha de instruçoes com o passo-a-passo, me lancei na praça Djemma Al Fna (onde tudo acontece e da qual irei falar muito ainda). Dali o taxi nao passa e eu tenho que seguir a pé pelas vielas. Estava tudo dando certo de acordo com o mapa até chegar a parte que, pelo que percebi pela descriçao do 'mapeador', era o pulo do gato. Eu tinha que dar uma guinada de 180 graus e entrar numa passagem que estava às minhas costas.
Passei direto e, com a cara de perdido, acabei abordado por um garoto guia, espécie abundante na medina e cujo apreço pelo dinheiro de turistas o torna uma figura a ser evitada. Disse que nao precisava de ajuda, enquanto ele enumerava todos os riads (tipo de hotel) do Marrocos tentando acertar o meu. Deixei o mocinho para trás e entrei todo faceiro por uma viela como se soubesse o que estava fazendo. Mais à frente, um cara bem mais velho tambem quis me guiar, mas esse pelo menos acertou meu riad (ou albergue, tanto faz) de primeira e disse para entrar numa outra rua. Segui o conselho, mas avisei que nao tinha dinheiro. Ele incrivelmente desistiu de mim, mas quando me dei conta, quem estava do meu lado de novo? O primeiro garoto guia. Como ele descobrira meu destino, foi me levando e eu nao pude resistir porque àquela altura o labirinto era uma coisa inacreditável! As vielas cada vez mas estreitas e zigue-zagueantes baixaram minha guarda e eu aceitei enfim pagar 10 dirhams (1 euro) para o insistente jovenzinho. Estava na porta do Equity Point e com a sensaçao de que se eu fosse para a rua de novo, nao acharia nunca mais o caminho de volta.
Para cá de Marrakesh (trocadilho inevitável)
Obtive sucesso até o determinado momento em que acordei assustado com a certeza de que já eram umas 8h30 da manhã. Levantei da cama e acho que comecei a falar alto 'caraca, ferrou, vou perder o avião'. Tenho a vaga sensação de ter repetido isso de pé, tentando abrir o cofre do quarto para pegar minhas coisas. E mais vaga ainda é a lembrança de a menina do quarto, a qual eu acordei, ter falado (olha só que maluquice) em português que na verdade era mais cedo do que eu imaginava. É lógico que essa segunda parte não aconteceu, mas acabei voltando para a cama e dormindo de novo. Acordei mais tarde com a mesma menina descendo da cama (talvez ela não tenha conseguido mais dormir depois que a acordei...) e com a certeza de que aquela era a hora exata para levantar, ou seja, 6h30.
Quase... Eram 5h30 mas só percebi a hora quando já tinha tirado todas as minhas coisas do escuro do quarto para o corredor e já estava até pronto para sair. Aproveitei o tempo que sobrava para bater papo com um uruguaio que parecia muito estar dando em cima de uma menina cuja nacionalidade desconheço, mas que só falava com ele em inglês.
Piquei minha mula e peguei meu avião na hora certinha. Mentira! Depois de tanto esforço da minha parte, a EasyJet teve a desfaçatez de atrasar o voo em uma hora. Dormi toda a 1 hora e meia que durou a viagem e enfim desembarquei na África!
Mais um susto com as 'ôtoridades'
Mal pus os pés em solo marroquino, fui tirar ainda na pista uma foto minha com o aeroporto ao fundo e um guarda veio lá de longe, na minha direção, falando árabe. Eu fiz cara de turista assustado e balbuciei alguma coisa em francês. Foi então que ele explicou que ali tinha uma base militar e eu não podia tirar foto, portanto que a apagasse da máquina. Com calma e parcimônia, liguei a máquina, mas a tela acusou 'trocar as pilhas'. Putz... E para explicar isso pro guardinha? Coloquei a mochila no chão e comecei a catar o outro jogo de pilhas, já meio afoito e começando a pensar que a salinha da imigração marroquina não devera ser tão bacana quanto a espanhola. Acho que aí o cara viu que aquele idiota atrapalhado estava longe de ser um espião querendo roubar segredos militares do Marrocos e me deixou ir.
Se o estádio olímpico Ninho do Pássaro e o Cubo D'água fossem para a cama e tivessem um filho, ele seria o aeroporto de Marrakesh. Para ir de lá à medina (centro histórico das cidades marroquinas, digamos assim), eu podia pegar um táxi ou o ônibus 11. Minha opção era pelo ônibus para economizar, mas como em qualquer aeroporto do mundo, vieram uns caras oferecer táxi. O meu Deus (Lonely Planet) dizia que a viagem não deveria custar mais do que 60 dirhams, o que dá cerca de 6 euros, ou 18 reais, e o taxista falava todo pimpão que a corrida era tabelada, 15o dirhams e nada menos.
Só que malandro é o pato, que já nasce com dedo grudado para não ter como colocar aliança, e eu avisei que não arredava o pé dali, ia de ônibus e estava muito feliz com minha decisão. Rapidinho, o preço começou a cair. 120, 110... e eu jogando a velha história de que era brasileiro, não europeu, e que eles fizessem um preço menos turístico (desde o mochilão no Peru que eu uso essa). Daí um terceiro taxista, falando em inglês, cochichou 80 dirhams para mim. Eu pensei com meus botões 'o guia deve ter sido publicado há uns três, quatro anos, e sabe como é a voraz inflação marroquina, né... Aquele preço estava ótimo!'
O 'Ninho D'água' do Marrocos
terça-feira, 3 de março de 2009
Os Montaditos de Madri
Tinha combinado de sair à noite com meus amigos Guilherme Coimbra e Clarissa, brasileiros, casados e moradores de Madri há um ano e dois meses. Trabalhei com o Coimbra no Sportv e posso dizer sem sombra de dúvidas que é o profissional mais competente que eu já conheci. E ainda é um grande camarada que me levou para lugares onde os locais vao e os turistas passam ao largo.
Fomos entao tomar um chopp com as famosas tapas espanholas e paramos no Cervecería 100 Montaditos, um tipo de estabelecimento que eu queria que existisse no Brasil. Se o seu orçamento na Europa é apertado e você se recusa a ir ao McDonald's, essa é uma excelente opçao para se comer como um espanhol e nao gastar quase nada! Sao sanduíches em miniatura (os tais 'montados' em espanhol) pedidos no balcao. Voce preenche uma ficha parecida com essas de rodízio japonês com uma infinidade de recheios e vai anotando quantos quer de cada um. Pega sua cerveja e senta na mesa até ouvir gritarem seu nome. Para quem quiser visualizar a coisa, vale a pena entrar no site: http://www.cerveceria100montaditos.com/
A cerveja aliás tem uma opçao engraçada aqui. Se você for perguntado se quer uma 'clara', nao vá pensar que é apenas um antônimo para escura. O que eles fazem é misturar Sprite, água aromatizada ou algo do tipo à sua loira tradicional. 'É cerveja de mulherzinha', anotou bem o Coimbra, que foi entao chamado pela tia 'filipina' (ou adjacências) para buscar a bandeja com nossos 'montaditos'. Na primeira mordida eu enfim me senti comendo bem na Espanha! Para quem acaba de chegar a Madri e nao tem familiaridade com a cozinha espanhola pode achar difícil escolher o que comer, porque os ingredientes sao muito típicos. Mas eu estava bem assessorado para aprender que, por exemplo, lacón é um tipo de presunto que vem do ombro do porco. Meus quatro sabores entao foram:
- mousse de pato com um cubinho de batata cujo nome esqueci
- chorizo a la sidra com queijo
- um tipo de presunto também com queijo
- para fechar, chocolate branco
Me desculpem pelo 'um tipo', mas os nomes eram muitos. Certo mesmo é que eram divinos, um ótimo programa para se fazer numa terça à noite entre amigos. A conta deu 20 euros para os três, incluindo os montaditos e uma rodada de cerveja! Quando voltar para cá no fim do mês vou querer ir de novo.
Como o Cervecería 100 Montaditos estava fechando, fomos a um outro bar para mais uma rodada de cerveja. Acabamos em um bem simpático, com belos azulejos na parede. Eu nao sei por que cargas d'água o dono gostou muito da gente e saiu dando comida de graça! O Coimbra disse que isso era normal em Madri, mas como eles deram um prato de azeitonas e mais dois de um outro tipo de 'sanduíche' lá, até ele estava achando estranho! Esse outro tipo de 'tapas' era um sanduíche que vinha aberto, ou seja, você come uma banda de baguete de cada vez com o recheio em cima. Ganhamos um de pimentao com anchovas e outro sortido com três sabores: salmao defumado, caranguejo (!!) e presunto com queijo. Nunca que eu conseguiria imaginar isso no Brasil! O máximo que a gente ganha é aquela mao de amendoim do ambulante que passa pelo bar... E por incrível que pareça só pagamos pela cerveja mesmo. Viva a Espanha!
Saímos cerca de uma da manha para andar de volta para casa. E nao é que a gente se perdeu nas ruas de Madri? Eles moram há mais de um ano, mas a cidade tem umas vielas que confundem mesmo. Foi engraçado ver a Clarissa brigando enquanto o Coimbra tentava se achar no mapa. 'Ele sempre faz isso com as visitas!' Tirei ate foto da cena. Eu estava adorando, afinal flanar por uma cidade europeia nunca pode ser ruim, ainda mais quando se acabou de chegar. Caminho achado, nos despedimos na porta do metrô. Eles seguiriam para a casa deles em Estrecho e eu fui para o albergue com presuntos e delícias marinhas ainda explodindo na ponta da língua.
Coimbra tentando achar na 'bíblia' onde a gente estava
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Curiosidade do dia: em Madri, a tarde pode ser mais fria do que a noite. Quando cheguei, ao meio-dia, fazia 10ºC e no início da madrugada a temperatura era de 13ºC. Vai entender...
Ser brasileiro é... ser detido na imigraçao
Por contraditório que possa parecer, ao chegar na fila da imigraçao eu estava tranquilo. Os caras na cabine nem tinham cara de mau, eu estava com tudo certinho, ia ser mamao com açucar. Até ele perguntar quantos euros eu estava levando, a minha grande preocupaçao desde o Brasil! E nao é que eu entendi quantos anos eu tinha? Ele tomou um susto ao descobrir que eu tinha 25 euros! Eu ate corrigi depois quando percebi o mal-entendido, mas brasileiros nao podem errar. Lá fui eu para a salinha.
Tudo bem, eu estava com tudo certo e, vamos cobinar né, nem era minha primeira vez numa sala de imigraçao. Eu ja tinha sido jogado com árabes e mexicanos na berlinda da imigraçao americana em Los Angeles. E isso tinha sido apenas 4 meses depois do 11 de Setembro. Espanha? Piece of cake.
Conheci a famigerada salinha da qual ouvi os deportados reclamarem tanto. Lembrei dos relatos de alguns brasileiros que tinham ficado dias e dias trancafiados numa sala escura, úmida, sem comida e informaçoes. O negócio nao é nenhum Salao Oval, mas era uma sala de aeroporto como qualquer uma deve ser no mundo. Estávamos eu, um outro brasileiro... uma menina que era... brasileira, uma mulher, deixa eu ver se me lembro... ah! brasileira e uma terceira moça o que? tcham tcham tcham tcham! Brasileira! Oh pátria amada idolatrada salve, salve!! Rapaz, se você é jovem, mas nao é o Ronaldinho, as chances de fazer um tour pela salinha sao pule de dez!
Nao tinha mais nenhuma nacionalidade com nosotros. Mas convenhamos, tirando o garoto, as três mocinhas estavam ali provavelmente para 'ganhar a vida' se é que vocês me entendem. Uma delas se vestiu com uma camisa que nao chegava nem ao umbigo! Barriguinha de fora nao dá né...
A outra eu cheguei a ouvir conversando com a polícia, falando que estava ali para ficar 3 meses, era solteira e tinha um filho que deixou com a mae. Um beijo, me liga!
Aí o cara grita de fora da salinha: 'Diogo!' e eu ali só imaginando as mocinhas entrando no aviao de volta. O espanhol foi obrigado a gritar de novo 'Diogo!' Ferrou, irritei o cara né.
- Quantos euros você tem?
- 1.400 (sem titubear)
- Trouxe cartao de crédito?
- Sim
- Mostra
(mostrei dois cartoes e ainda o visa travel money. em nenhum momento mostrei meus 900 euros em cash)
- O que você está fazendo na Espanha?
- Turismo
- Vai ficar quanto tempo?
- Agora, um dia. Amanha vou para o Marrocos.
- Tem a passagem aí?
- Sim
(mostrei)
- O que você vai fazer no Marrocos???
- Turismo
(me olha estranho)
- Onde você trabalha no Brasil?
- Sou jornalista, trabalho na Globo.
- O que você vai fazer no Marrocos???
- Turismo (como se ele nao tivesse me perguntado isso ha 20 segundos)
- Cadê sua carteira de jornalista
(bem, eu 'só' tinha carteira de trabalho, contra-cheque e minhas férias assinadas. mostro meu contra-cheque explicando o que é)
-Guarda isso. Pode seguir viagem.
Saí da salinha como se fosse um brasileiro melhor do que os outros. É isso que eles fazem a gente sentir! hahahaha
Eu estava oficialmente na Europa! Peguei o metrô que existe DENTRO DO AEROPORTO e após muitas trocas de linhas sem errar eu estava no Centro de Madri, exatamente na rua do meu albergue. Quando eu saí da estaçao e me vi numa das principais praças da cidade (Puerta del Sol), nao conseguia esconder o sorriso. Fiquei com aquela expressao grudada no rosto e pensando 'Caraca, nao é que eu to na Europa?' Foi esse o momento em que eu superei todos as preocupaçoes e a ficha caiu. Estava chuviscando, mas aquilo nao diminuía a alegria do momento.
Achei a entrada e tomei um pequeno susto, era uma porta velha num prédio nao menos antigo. Hesitei por um momento. Será que é esse número mesmo? Era. Abri e a situaçao piorou, a porta dava para um corredor sujo, escuro e cheio de entulho de alguma obra. Só dava para ver uma longa escada no fim e um papel grudado na parede: 'Hostel One Centro, é só subir até o terceiro andar. Vamos, você já está chegando'. Bem, se os caras tiveram a preocupaçao de me motivar é porque a escada nao era brincadeira nao (ou o próprio albergue, sei lá). Confesso que se nao tivesse já visto fotos pela internet estaria apavorado, mas fiquei tranquilo e no final das contas era exatamente o que eu conferira. Peguei meu quarto, chequei os emails e caí nas ruas molhadas de Madri.
Itinerário
03/03 - Madri
04/03 - Madri - Marrakesh
05/03 - Marrakesh
06/03 - Marrakesh
07/03 - Aït Benhaddou, Ouarzazate, Valley of the Roses e The Dades valley
08/03 - Todra Gorges, Merzouga e Erg Chebi
09/03 - Merzouga - Marrakesh - Essaouira
10/03 - Essaouira - Casablanca
11/03 - Casablanca - Rabat
12/03 - Rabat - Meknes
13/03 - Meknes - Moulay-Idriss - Volubilis - Meknes
14/03 - Meknes - Fez
15/03 - Fez
16/03 - Fez
17/03 - Fez - Chefchaouen
19/03 - Gibraltar - Cádiz
20/03 - Cádiz - Arcos de la Frontera
21/03 - Arcos de la Frontera - Ronda - Garganta El Chorro - Málaga
22/03 - Málaga - Granada
23/03 - Sierra Nevada
24/03 - Granada - Sevilla
25/03 - Sevilla
26/03 - Sevilla
27/03 - Sevilla - Córdoba - Madri
28/03 - Madri
29/03 - Madri
30/03 - Madri
31/03 - Madri
01/04 - Madri - Paris
02/04 - Paris
03/04 - Paris
04/04 - Paris
05/04 - Paris - Madri - Rio
Bem-vindos!
Bem, o objetivo desse diário de viagem é... ser exatamente o que o nome diz, oras. Vale enumerar, porém, as minhas três razoes para escrever.
1. egoísta: guardar de alguma forma as lembranÇas da minha primeira vez na Europa e na África
2. altruísta: mandar notícias para aqueles poucos que se preocupam com meu bem-estar em solo estrangeiro, terra estranha, gente esquisita
3. altruísta²: ajudar quem porventura quiser um dia ir ao marrocos, ou seja, colocar informaÇoes e dicas para aqueles que nao têm muita fonte de informaÇao em português sobre o país
Avisos!
a) Nao esperem um incrível estilo de linguagem, um texto cativante ou sacadas e piadas no timing certo. Provavelmente, sempre que eu conseguir escrever será após um dia cansativo de mochileiro. Ninguem é um James Joyce da vida nessas condiÇoes. Eu sei que sou jornalista, mas só estou escrevendo esse blog porque estou de férias!
b) Os teclados que nao falam portugues vao atrapalhar um pouco minha vida, mas conto com a paciência de vocês para a falta de acento. Aqui, por exemplo, nao tem til. Digamos que é uma Contra-Reforma ortográfica, eu sou a Igreja Católica do português, apenas mais ousado. (se você achou essa piada sem-graÇa, favor reler o item 'a' acima)
Passando do segundo post e persistindo no erro, você vai acompanhar minhas aventuras por dois países completamente diferentes. O meu amigo Vitor me perguntou porque diabos eu juntei viagem à Europa com passeio ao deserto. A resposta eu perdi no meio da arrumaÇao da mochila, porque realmente um nao ajuda o outro. Vou andar de aviao e trem, mas também de camelo. Tirar fotos de obras de arte e encantadores de serpentes. Dormir em albergues, riads, hotéis, casas de amigos e até tendas. Espero que no meio de tanto contraste eu consiga aproveitar o melhor de cada mundo. Eeee pieguice!
Povo, o nome do blog é provisório por falta de criatividade. Por isso tá assim, depois a gente muda. Aceito sugestoes.
AbraÇos.
