quinta-feira, 5 de março de 2009

A medina

Hoje eu fui visitar uma mesquita, museu de Marrakesh e a medersa, que era um tipo de 'cidade universitária', digamos assim. Os estudantes ficavam alojados nesse estabelecimento, mas, ao contrário do que os guias dizem, as aulas eram na mesquita que fica bem pertinho. Tudo isso está localizado na medina, ao norte da Praça Djemaa El Fna, e é aí que mora o perigo. Como era minha primeira manhã na cidade, resolvi me jogar no labirinto e tentar encontrar meu destino sem guia.

Após cerca de 40 minutos, algumas voltas em círculo e muitas vielas, cheguei. Eu fiquei emocionado, porque a medersa fica num canto perdido, muito escondido! Mas depois que você acha um, acha todos, é tudo quase um do lado do outro. Eu aconselho a quem um dia visitar Marrakesh tentar fazer o mesmo, se lançar nas vielas em busca de algum determinado lugar. É uma boa maneira de conhecer a cidade. Minha dica é tentar memorizar alguns locais pelos quais você passa, porque, se andar por ali de novo, vai saber que deu uma volta. Entao, fique atento a tudo que te rodeia e vai mapeando o caminho na sua cabeça (em grupo é ainda mais fácil porque cada um lembra de uma coisa). E ignore sempre os falsos guias, eles só querem o seu dinheiro.

Se você nao quer ficar se perdendo na medina (seja por falta de tempo, seja por falta de paciência) e quiser pagar a alguem para te levar a algum lugar, combine o preço antes! Após a manhã toda caminhando por conta própria, eu resolvi aceitar uma visita guiada a um curtume (tannerie, em francês: lugar onde eles limpam o couro, deixam curtir e tingem), porque eu acho que ninguém entra nesses lugares sozinho. Acabei pagando um cara, que me levou até um curtume e me entregou a outro homem. Ali eu vi que ia morrer numa grana, porque teria que pagar duas pessoas.

Nao adianta, dificilmente você é esperto no Marrocos. Grave isso: você é sempre um turista! Esse segundo cara me mostrou o curtume, me explicando em um inglês praticamente incompreensível! Dali, fomos a outro curtume e no caminho ele me deu um ramo de hortelã para cheirar durante a visita, porque esses lugares são realmente muito fedorentos (afinal, é pele de camelo, boi, cabra, carneiro e outros animais num só lugar). Depois desse curtume ele me empurrou para a lojinha, claro, onde se vendem os produtos feitos de... couro! É tudo um esquema só. Na saída, o guia me cobrou 200 dirhams (20 euros)!!! Uma coisa absurda, mas eu fui garoto de nao combinar desde o início e essa malandragem de te ficar passando de um para outro deixa qualquer turista rendido.

Eu nao podia fazer muita coisa, afinal já tinha feito o passeio. Negociei por muito tempo com o malandrinho, pedi que pelo menos ele me levasse de volta à praça, mas ele só ficava repetindo 'thank you' (???) e balançando a mão à espera do dinheiro. E lá se foram minhas notinhas...

Turistas franceses perdidos em uma das ruas da medina

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Curiosidade do dia: os muçulmanos são tão devotos que até na estação de trem existe uma sala reservada apenas para rezar (sempre em direção a Meca, claro). Eles têm que fazer cinco orações por dia. Mais pra frente eu vou me arriscar a falar um pouco sobre religião no Marrocos.

Placa indicando ao bom muçulmano como cumprir seu dever com Allah

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