sexta-feira, 13 de março de 2009

O Gianecchini do Marrocos ataca novamente (ou é atacado...)

A volta a Essouira foi de tirar o folego, mas nao exatamente pela beleza da estrada. Peguei o ultimo onibus da CTM para Marrakesh, às 17h, para chegar e tomar direto o trem rumo a Casablanca às 21h. A viagem deveria durar entre 2h30 e 3h, mas, nao sei se porque ja estava anoitecendo e o motorista resolveu ser mais prudente, ja passava das 20h e nada de Marrakesh!

Eu fui ficando tenso, ja imaginando como seria perder o trem, o quanto de dinheiro e tempo isso me custaria. Acho que o motorista nao era muçulmano, era budista ou algo parecido, porque a forma como ele conduzia o onibus era numa paz e calma, que nao contribuiam para o meu problema. Enquanto íamos a uns 50km/h, o ponteiro do relogio corria a uns 120km/h. Quando chegou 20h30, parecia que estavamos muito perto, mas a rodoviaria nao chegava nunca! Foram mais cinco torturantes minutos para o onibus entao entrar na garagem.

A essa altura eu ja estava quase na porta com tudo à mao para ser o primeiro a sair e pegar o mochilao no compartimento de bagagens. Feito isso, saí correndo em direcao aos taxistas, que queriam me cobrar 20 dirhams para ir à estação de trem que estava a duas quadras. Meu plano inicial era ir andando, mas como estava atrasado disse que aceitava pagar 5 dirhams. Apenas um taxista topou e eu nao precisava de mais. Tres minutos depois, estava na belissima estação de trem de Marrakesh.

Morrendo de fome, nem consegui pensar em comida, queria apenas embarcar. A primeira classe é otima, sao varias cabines com seis confortaveis poltronas cada. Se algum dia voce for ao Marrocos, nunca ande na segunda classe. Eles vendem mais passagens do que o numero de assentos, entao muitos viajam em pé. Mesmo que voce consiga se sentar, vai se sentir mal de ver mulheres e idosos chacoalhando ao seu lado enquanto voce está confortavelmente (ou nem tanto) instalado.

Eu estava dividindo minha cabine com uma mulher de uns 50 anos e o filho (ou neto, sei lá) de uns 2 anos. Ela até trocou a fralda da criança e tudo que eu posso dizer é que isso nao foi lá muito agradavel. Descalço e com meu iPod nos ouvidos, me preparava para dormir, quando, após uns 10 minutos de viagem, uma garota apareceu no corredor e me chamou.

Quando cheguei na cabine dela, vizinha à minha, ela me perguntou alguma coisa em arabe. Disse que só falava frances e entao eu descobri que ela queria minha ajuda para desligar o ar-condicionado da cabine. Após dizer que nao sabia como faze-lo e explicar que era minha primeira vez num trem marroquino, ela e a amiga começaram a rir. O papo começou e, quando vi, ja estava sentado com as garotas contando da minha viagem e perguntando tambem sobre elas.

A que havia me chamado tinha 19 anos e para os padroes do país era ate bonita. A outra tinha 20. Eram jovens marroquinas pouco religiosas; nao usavam véu nem rezavam cinco vezes por dia. Bebiam alcool, fumavam e devoravam revistas de fofocas. O mais importante: nao tinham bidode!

Foi a melhor coisa que poderia acontecer. Cansado das duas viagens de onibus do dia, a companhia fez o tempo voar e eu nem senti as 4 horas de trem. Aprendi um pouco de arabe, provei uns salgadinhos (eu chamo de biscoito, mas tudo bem) esquisitos e perguntei bastante sobre habitos culturais.

Na hora de tirar fotos, a velha cantada! A bonitinha falou em arabe que a foto tinha ficado boa e entao me ensinou a palavra 'bonita'. Logo depois, acrescentou 'como voce' (atenção, nao é o verbo comer!). Agradeci e sugeri um almoço em Rabat, que era aonde elas iam e tambem meu destino apos Casablanca. Entre encontros e desencontros, nao nos revimos e acabei ficando apenas com mais uma historia para contar.

2 comentários:

  1. Tá na hora de você sair desse zero hein!!

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  2. Fazendo sucesso pelas terras sagradas, hein?
    Estou adorando seus posts!!!

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