quarta-feira, 4 de março de 2009

E eu achando que era malandro...

Se eu fosse explicar para uma criança o que é o Marrocos e o norte africano, eu diria que está mais para Aladin do que para Rei Leão. Mais próximo culturalmente do Oriente Médio do que dos vizinhos de continente, o Marrocos é um país de cultura árabe, mulheres com rosto sob panos, homens barbados, feiras, tendas, temperos e especiarias. Eu tinha a impressao de que Marrakesh seria uma enorme favela da Maré, só que com muita poeira e terra. De fato, a cidade tem uma cor ocre, meio barrenta, mas eu até que fiquei impressionado com um míinimo de limpeza, principalmente fora da medina, ou seja, na parte 'nova'.

Estava achando tudo tranquilo até ter que encontrar meu albergue Equity Point na labiríntica medina. Munido de um mapa do site do próprio albergue e uma folha de instruçoes com o passo-a-passo, me lancei na praça Djemma Al Fna (onde tudo acontece e da qual irei falar muito ainda). Dali o taxi nao passa e eu tenho que seguir a pé pelas vielas. Estava tudo dando certo de acordo com o mapa até chegar a parte que, pelo que percebi pela descriçao do 'mapeador', era o pulo do gato. Eu tinha que dar uma guinada de 180 graus e entrar numa passagem que estava às minhas costas.

Passei direto e, com a cara de perdido, acabei abordado por um garoto guia, espécie abundante na medina e cujo apreço pelo dinheiro de turistas o torna uma figura a ser evitada. Disse que nao precisava de ajuda, enquanto ele enumerava todos os riads (tipo de hotel) do Marrocos tentando acertar o meu. Deixei o mocinho para trás e entrei todo faceiro por uma viela como se soubesse o que estava fazendo. Mais à frente, um cara bem mais velho tambem quis me guiar, mas esse pelo menos acertou meu riad (ou albergue, tanto faz) de primeira e disse para entrar numa outra rua. Segui o conselho, mas avisei que nao tinha dinheiro. Ele incrivelmente desistiu de mim, mas quando me dei conta, quem estava do meu lado de novo? O primeiro garoto guia. Como ele descobrira meu destino, foi me levando e eu nao pude resistir porque àquela altura o labirinto era uma coisa inacreditável! As vielas cada vez mas estreitas e zigue-zagueantes baixaram minha guarda e eu aceitei enfim pagar 10 dirhams (1 euro) para o insistente jovenzinho. Estava na porta do Equity Point e com a sensaçao de que se eu fosse para a rua de novo, nao acharia nunca mais o caminho de volta.

Um comentário:

  1. Os seus posts são ótimos. Não estou perdendo um! Fiquei imaginando o labirinto marroquino.

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