terça-feira, 17 de março de 2009

Uma experiência antropológica

Fez foi a cidade que escolhi para conhecer um típico hammam marroquino. Trata-se de um local onde os muçulmanos vão para tomar uma espécie de banho turco, ou seja, um banho em salas a vapor, que remontam às termas romanas. Na religião islâmica, a pureza do corpo é levada muito a serio, é como se eles estivessem lavando a alma, daí a importancia desses lugares para a população local. Nada melhor então para um mochileiro que gosta sempre de mergulhar na cultura local.

Meu guia Lonely Planet tem uma foto linda de uma mulher deitada em um hammam maravilhoso, pronta para receber uma massagem, o que eu descobri ser um dos serviços disponíveis nesse tipo de estabelecimento. Esperei, portanto, ficar com as costas bem castigadas pela mochila para que o efeito fosse ainda melhor.

Descobri um hammam em Fez e fui atrás da minha massagem. As mulheres podem usar o local até as 22h00 (o horário varia de um local para outro), mas os homens só podem entrar após todas elas terem saído. Esperei cada minuto passar, apenas pensando nos momentos relaxantes que teria depois.

Paguei 8,50 dirhams para entrar e já sabia que a massagem custaria mais 50 dirhams (menos de 15 reais). Como se tratava de um hammam público, ou seja, não ficava em um riad (um tipo de hotel mais aconchegante, digamos assim), o local era um tanto quanto mal conservado, mas viajantes com orçamento curto estão acostumados a isso. Só comecei a estranhar quando o cara ficou apenas de cueca e pegou uns quatro baldes vazios...
Depois, um dos funcionários me perguntou se eu tinha sabonete ou se queria comprá-lo. Sabonete? Mas eu vou apenas receber uma massagem...

Fui preparado para o desconhecido, estava com a minha sunga e apenas com ela segui para as salas vaporizadas. São cerca de quatro, uma mais quente do que a anterior. Eu esperava uma maca, ingênuo turista ocidental que sou, mas o cara me mandou sentar-me no chão em um determinado canto do recinto, enquanto ele enchia os baldes. Ok, uma massagem com um banho, isso deve ser bom...

Após jorrar a água sobre minha cabeça, o rapaz fez uns 10 segundos de uma massagem extremamente forte nas minhas costas (eu ainda sentado no chão). Depois, meio que espichou/alongou meus braços e então estalou minha coluna, o que até foi bom. Aqui termina o que posso considerar uma massagem tal qual aprendi durante minha vida no Brasil.

O que ele fez depois foi me pedir para que eu ficasse deitado e então começou a esfregar meus braços, pernas e peito com uma luva áspera, de maneira absurdamente forte. Tive a certeza de que ele queria arrancar minha pele para fazer umas babouches, ou talvez umas bolsas, e quase nao podia suportar a dor. O cara me perguntou se estava forte demais, mas por mais que eu estivesse sofrendo, nao queria parecer um turista maricas que nao aguenta nada. 'Está otimo!'

Depois foi a vez das costas, ainda deitado no chão, e por fim os baldes de água sobre a cabeça de novo. Em menos de 10 minutos, tudo havia terminado. Ainda tive que pagar 5 dirhams por uma toalha, já que não havia levado nenhuma por nunca ter imaginado aquilo que tinha acabado de acontecer.

Saí do hammam com alguns dirhams a menos, uma nova experiência de viagem e a descoberta de que 'massagem' em árabe significa 'eu não sei tomar banho sozinho'.

6 comentários:

  1. Meu Deus!!! Mas que coisa mais horrívelllll!!!!!!!!

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  2. "(...) Eu soh comecei a estranhar quando o cara ficou soh de cueca e pegou uns quatro baldes...Depois, um dos funcionarios perguntou se eu tinha sabonete ou se queria compra-lo. Sabonete? Mas eu vou apenas receber a massagem.

    Eu fui preparado para o desconhecido, estava com a minha sunga e apenas com ela segui para as salas vaporizadas."

    Coragem.

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  3. Talvez da próxima vez seja melhor experimentar o hamman do riad...ou talvez eles achem que quem vai a um hamman público precise mesmo é de um bom banho...
    Denise

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  4. Eu diria que essa experiência beira o homossexualismo. Tua sorte é que você tá no Marrocos e chamam isso de massagem. Se isso acontece em São Francisco, o nome muda pra viadagem. HUhuahuahauhaua

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  5. HAHAHAHA. Muuuito bom!
    ops... o seu texto e o acontecimento, não a sua desgraça! rs

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