segunda-feira, 9 de março de 2009

E no Saara... chove!

Chegando da rua, descobri que a internet do albergue ja estava funcionando. O inicio no passeio ao deserto começa no post de baixo.

Após Ouarzazate, visitamos a Garganta de Dades, uma interessante formaçao rochosa que, como toda garganta (eu acho!) é formada por milhoes de anos de erosao fluvial. Mais dez minutos de carro e estamos no hotel, onde jantamos e passamos a noite.

No segundo dia, saímos cedo para pegar mais estrada rumo ao deserto. No caminho, paramos na Garganta de Todra, muito mais legal do que a de Dades. Por ser bem mais estreita, causa um impacto maior no visitante, que pode caminhos por entre as duas enormes paredes de pedra (cerca de 200 metros de altura cada uma). É possível ver alguns alpinistas fazendo escalada e dar graças a Allah que voce está no chao.

Roubaram a cereja do bolo

Após um dia inteiro de estrada, a chegada ao grand finale do passeio é bem excitante. As dunas do deserto iam se aproximando no horizonte e eu só pensava na marchinha 'atravessando o deserto do Saara /o sol estava quente e queimou a nossa cara'. Sol?

Tudo o que havia no céu eram nuvens. Pelo menos tinhamos uma 'MAGICA' viagem de camelo pelas dunas. Momento Wikipedia: essa tradicional figurinha facil do deserto pertence à familia Camelidae, da qual tambem fazem parte os camelideos sul-americanos (lhama, alpaca, guanaco e vicunha). Acho que meu camelo saariano nem percebeu, mas eu tive a oportunidade de comer dois primos dele na Bolivia e no Peru, a lhama e a alpaca.

Pegamos os animais e partimos em uma leeeenta caravana. O melhor que eu posso dizer a quem um dia quiser fazer esse passeio: nao é confortavel. A rota dura uma hora, o suficiente para voce deixar de lado o fascinio de estar no Saara e só desejar que o acampamento chegue logo. Como estava nublado, ficamos sem o prometido pôr-do-sol espetacular. Para completar, o camelo balança muito e isso torna o prazer de fotografar uma tortura. Raramente a foto nao sai tremida, mesmo com uma maquina boa como a minha e isso vai te frustrando de uma maneira tal que chega a irritar (ja nao bastasse a ausencia do sol, que deixaria as fotos com uma luz espetacular).

Outra decepcao foi a quantidade de vegetacao nas dunas. Varios tufos de planta nao permitiram o que eu imaginava que seria uma areia imaculada, um horizonte todinho laranja (mais do que amarelo). Para completar a 'farsa', começou a pingar no meio do passeio! Só faltava essa, um deserto em que chove!

Noves fora minhas reclamações, é bacana estar ali. Quando chegamos ao pequeno acampamento berbere, deixamos a mochila e fomos todos, como turistas bobos que somos, correr duna acima. Cansa muito, o pé vai afundando na areia finíssima e atrapalhando o impulso, mas o visual lá de cima é muito legal. Infelizmente, nao tivemos uma noite estrelada como eu e todo o grupo esperávamos, mas nao adianta ficar reclamando, vale mais curtir o momento. Os nossos guias berberes fizeram uma pequena apresentação com um tambor chamado tan-tan (que nao tem nada a ver com o tan-tan brasileiro) e depois fomos dormir.

No dia seguinte, saímos cedo de volta ao carro e enfim pudemos apreciar o jogo de luz e sombra provocado pelo sol nas dunas. Doze horas depois, eu estava em Marrakesh de novo.

Uma parte da caranava com o amanhecer ao fundo

A foto que todo turista gosta de tirar e que o sol enfim permitiu

2 comentários:

  1. Rapaz, e muito legal chegar em casa e pensar que, enquanto eu acabei de atravessar a Av. Paulista, você passou pelo Deserto do Saara. rs.
    Continue com as informações dai.

    Obs. Daniel, o unico dezertor a estimular o nosso desbravador africano.

    Abs.

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