Até as 14h, os orientais dominaram as ruas de Belleville com seus dragões, bandeiras, quimonos e apresentações típicas. Entre um bocejo e outro, encontrei uma bandinha animada tocando fanfarras do leste europeu. Alguns poucos também preferiram trocar o cortejo de ano novo pelas notas vindas do trio de sax, trompete e tuba. Que me desculpem os chineses, mas em Paris a democracia vigora! Mas se a banda russa estava mais legal, o desfile era mais plástico, logo mais fotografado.
Às 16h, a batucada brasileira começou a ecoar entre os prédios de elegante arquitetura parisiense. E aí sim começou a festa. As pessoas acordaram, as máquinas e celulares brilharam seus flashes e luzes vermelhas e até mesmo alguns quadris arriscaram um remelexo. As ruas estavam lotadas! Mas a temperatura rondava os 2°C e o vento não ajudava em nada. Nunca tinha visto um carnaval daqueles, com casacos e luvas. Cerveja? Difícil de encontrar, Paris não tem ambulantes. Será que eu estava começando a reconhecer a importância da informalidade brasileira?
De fato o desfile é tão organizado que chega a ser entediante em determinado momento. Ele seguiu de Belleville (20ème arrondissement) até o Hôtel de Ville (4ème arrondissement) com perfeição, sem atravessar ou produzir qualquer surpresa, quase como um desfile da Beija-Flor. Três horas ao ar livre em pleno inverno. Eram cerca de dez grupos de bateria, divididos entre pequenos blocos de... tá, vá lá, foliões. Mas é preciso admitir que tinha gente animada e, acreditem, fantasiada! Nem parecia Paris! Onde estavam aquelas pessoas sérias que empurravam umas as outras no metrô?! O carnaval realmente realiza milagres. Vi até algumas crianças com sacos de confete! Alegria imensa para um brasileiro expatriado! A felicidade está nas pequenas coisas.
Pessoas subindo em estátuas, tambores, roupas extravagantes, piadas cretinas, irreverência e até mesmo algo parecido com bonecos de Olinda. Estava tudo lá. Até o sol resolveu aparecer no fim para brincar. Mas a festa de Momo em Paris não dura mais do que uma tarde. Não dá nem para curtir um amor de carnaval desse jeito. A cidade mais romântica do planeta ainda tem muito a aprender com os brasileiros.

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