Embora os senegaleses sejam apaixonados por futebol, existe um outro esporte cheio de particularidades capaz de dividir o espaço no coração dos torcedores: a luta. E em tempos de férias para a bola em Dakar, a válvula de escape para o excesso de testosterona na cidade são os combates de domingo à tarde, no mesmo horário do bom e velho futebol da Globo.
Tal qual um dia de Maraca, saí de casa depois do almoço para me juntar a outros quatro americanos e Samba, o já conhecido "diretor cultural" do curso de francês, que nos levaria para uma agradável tarde de disputas ferozes. Nunca fui fã de lutas, a não ser judô, que gosto muito de acompanhar em tempos de Olimpíadas, mas estando a muitos quilômetros de distância do Fluminense, meu pão e circo havia de ser remodelado.
A luta senegalesa pode ser considerada uma versão tribal e cheia de rituais da tradicional (e esquisita) luta greco-romana. Tudo teria começado como uma festa rítmica nos vilarejos após um bom dia de pesca. Os fortões de cada vilarejo se enfrentavam e as vitórias davam poder e respeito aos lutadores e seus povos.
Ao que parece, muito pouco deve ter mudado de lá para cá. A luta senegalesa continua sendo um meio de obter status na sociedade local, ou seja, dinheiro, mulheres e admiração. Também pode se dizer que a parte mística das disputas permaneceram intactas, afinal, eles são grandes e musculosos mas têm medo de espíritos. A preparação psicológica e, digamos assim, religiosa do combate é todo um ritual à parte, que inclui danças, banhos mil de líquidos esquisitos e até magia negra. Um dos lutadores chegou a colocar sapos em cada canto do ringue.
Já do lado de fora do "estádio", pode-se perceber que toda macumba é pouca. Os ambulantes vendem de tudo para você fazer a fezinha no seu fortão favorito. Era um tal de cabeça de jacaré para um lado, pata para o outro, e otras cositas más de fazer um fiscal do Ibama subir nas tamancas. Na bilheteria, confusão, policial exaltado e um pequeno amontoado de senegaleses mal encarados vestidos à moda rapper americano.
Chamar aquele lugar de estádio é exemplo de eufemismo para se colocar em livro escolar. O lugar nada mais é do que uma quadra de cimento dessas de futsal, com uma arena de areia no meio e pequenas arquibancadas em volta. Mas a animação do povo é à altura daquela esperada dos africanos. Existe toda uma divisão de torcidas, com camisas e faixas para os lutadores, parecia até Big Brother Brasil em dia de paredão.
Antes dos combates, que vão de quatro a cinco por dia, muito ritual e música percussiva (que não para sequer um minuto). É engraçado ver uns caras enormes dançando em grupo como se fossem membros de uma boy band, mas tudo faz parte de uma suposta intimidação ao oponente e um aquecimento para a disputa. Na verdade, é uma baita de uma confusão, tanta gente na quadra que fica até difícil de se concentrar no que está acontecendo dentro do ringue.
A luta senegalesa tem uma particularidade que a difere das outras lutas praticadas na África Ocitental, que é a permissão de socar o adversário. Isso dá um pouco mais de graça para quem gosta da coisa e eleva os níveis de euforia da massa. De fato, não é o tipo de lugar ao qual você vai levar sua namorada. Os torcedores se exaltam, a polícia está sempre com a mão coçando para bater e volta e meia tem alguém chorando ou desmaiando em algum canto.
Tal qual um dia de Maraca, saí de casa depois do almoço para me juntar a outros quatro americanos e Samba, o já conhecido "diretor cultural" do curso de francês, que nos levaria para uma agradável tarde de disputas ferozes. Nunca fui fã de lutas, a não ser judô, que gosto muito de acompanhar em tempos de Olimpíadas, mas estando a muitos quilômetros de distância do Fluminense, meu pão e circo havia de ser remodelado.
A luta senegalesa pode ser considerada uma versão tribal e cheia de rituais da tradicional (e esquisita) luta greco-romana. Tudo teria começado como uma festa rítmica nos vilarejos após um bom dia de pesca. Os fortões de cada vilarejo se enfrentavam e as vitórias davam poder e respeito aos lutadores e seus povos.
Ao que parece, muito pouco deve ter mudado de lá para cá. A luta senegalesa continua sendo um meio de obter status na sociedade local, ou seja, dinheiro, mulheres e admiração. Também pode se dizer que a parte mística das disputas permaneceram intactas, afinal, eles são grandes e musculosos mas têm medo de espíritos. A preparação psicológica e, digamos assim, religiosa do combate é todo um ritual à parte, que inclui danças, banhos mil de líquidos esquisitos e até magia negra. Um dos lutadores chegou a colocar sapos em cada canto do ringue.
Já do lado de fora do "estádio", pode-se perceber que toda macumba é pouca. Os ambulantes vendem de tudo para você fazer a fezinha no seu fortão favorito. Era um tal de cabeça de jacaré para um lado, pata para o outro, e otras cositas más de fazer um fiscal do Ibama subir nas tamancas. Na bilheteria, confusão, policial exaltado e um pequeno amontoado de senegaleses mal encarados vestidos à moda rapper americano.
Chamar aquele lugar de estádio é exemplo de eufemismo para se colocar em livro escolar. O lugar nada mais é do que uma quadra de cimento dessas de futsal, com uma arena de areia no meio e pequenas arquibancadas em volta. Mas a animação do povo é à altura daquela esperada dos africanos. Existe toda uma divisão de torcidas, com camisas e faixas para os lutadores, parecia até Big Brother Brasil em dia de paredão.
Antes dos combates, que vão de quatro a cinco por dia, muito ritual e música percussiva (que não para sequer um minuto). É engraçado ver uns caras enormes dançando em grupo como se fossem membros de uma boy band, mas tudo faz parte de uma suposta intimidação ao oponente e um aquecimento para a disputa. Na verdade, é uma baita de uma confusão, tanta gente na quadra que fica até difícil de se concentrar no que está acontecendo dentro do ringue.
A luta senegalesa tem uma particularidade que a difere das outras lutas praticadas na África Ocitental, que é a permissão de socar o adversário. Isso dá um pouco mais de graça para quem gosta da coisa e eleva os níveis de euforia da massa. De fato, não é o tipo de lugar ao qual você vai levar sua namorada. Os torcedores se exaltam, a polícia está sempre com a mão coçando para bater e volta e meia tem alguém chorando ou desmaiando em algum canto.
Ganha quem derrubar o oponente ou empurrá-lo para fora do ringue. Ao final de cada luta o que não falta é espectador revoltado e querendo brigar. Eu tirei minhas fotos, fiz minhas filmagens e fui embora em meio a uma pancadaria entre um torcedor e alguns policiais. Nada que a gente já não tenha visto em estádios brasileiros. De consolo, fica o alívio de saber que pelo menos o domingo daqui não tem a dupla Galvão e Faustão.

Sensacional. Quem diria que a velha e boa PORRADARIA é o ESPORTE NACIONAL no Sene-sene-sene-sene-Senegal (cantar em ritmo de axé, por favor).
ResponderExcluirSenti falta da vuvuzelas...
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