Se até mesmo potências como Brasil (já sinto que posso chamar meu país assim) e França têm problemas de abastecimento, como seria diferente no Senegal? Muita gente falou em crise energética após aquela fatídica e para mim até hoje mal explicada noite de apagão, mas acho que foi um pouco de exagero. Não sou nenhum especialista na área, porém a palavra "crise" é muito forte. É ótima para os jornalistas, no entanto, assim como "apagão".
Vi que hoje houve outro problema parecido no Acre e em Rondônia e não li a repercussão disso, mas aposto que esse papo de crise vai voltar com tudo. O Brasil certamente precisa de investimentos na área, mas isso está acontecendo no mundo todo, a França que o diga. O frio intenso que está fazendo por lá tem colocado em risco o abastecimento na Bretanha, noroeste do país, outra região sensível, assim como o sudeste. A rede de transporte de eletricidade enviou à população por SMS um apelo para que todos economizassem energia. Isso com as temperaturas abaixo de zero! E a malfadada palavra "crise" também circulou por lá.
O debate, enfim, é atual e mundial, e ainda tem o aquecimento global no meio dessa história. No Senegal, a coupure d'éléctricité me deixou uma hora e meia sem luz, e eu pude então estrear a lanterna que pedi de amigo oculto no Natal, um presente que ninguém entendeu muito bem... Eu estava no hotel e era a hora do jantar, que acabou sendo à luz de velas. Quando a energia voltou, as pessoas não conseguiram conter o "aeee" nem as palmas. Você pode estar no Brasil, na França ou no Senegal, mas algumas coisas simplesmente não mudam.
Em homenagem ao momento "apagão", deixo o quadro "Quadrado negro sobre fundo branco" (1915) do pintor ucraniano Kazimir Malevich

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