Vir estudar francês no Senegal não foi das ideias mais convencionais, admito, mas na terça-feira à tarde, em vez de estar indo à praia do Leblon para curtir um ócio, eu estava na caótica Dakar me dirigindo ao centro de estudos onde passaria algumas horas das minhas próximas três semanas.
A Africa Consultants International (http://www.acibaobab.org/) é uma organização americana não-lucrativa que criou o Centro Baobab de línguas para o ensino de francês e wolof (o idioma que todos falam em Dakar). Encontrei o site durante minhas pesquisas sobre a possibilidade de se estudar no país e me pareceu um lugar com pessoas sérias. Sem nenhuma referência, paguei um bom dinheiro para ter duas horas e meia de aula por dia (de segunda a quinta) e fiz as malas.
Chegou o dia então de descobrir no que havia me metido. O centro é um lugar agradável, com pessoas atenciosas, mas nada muito excepcional. Conheci Samba (algumas coisas que nos acontecem são realmente divertidas), o "diretor cultural", como ele me foi apresentado. Logo percebi que chamá-lo assim era o mesmo que dizer que o office-boy é um especialista em logística de documentos. O cara era guia. Então, falei que pretendia ir ao centro naquela tarde para uma primeira visita e aceitei sua ajuda.
Com Samba ao meu lado, a vida ficou mais fácil. Ele negociava o preço das corridas de táxi e me poupava o trabalho (e o perigo) de abrir um mapa em plena Dakar. A cidade é caótica, tem muita gente andando de um lado para o outro e todas as ruas parecem iguais. Como é onde estão os turistas, os trombadinhas e os oportunistas estão sempre à espreita. Bastante assustador a princípio, não quero nem imaginar como seria estar sozinho no meio daquela confusão. Vou ficar devendo fotos porque ainda não tirei nenhuma. Preferi dar essa primeira volta apenas para sentir o clima da cidade, mas algumas pessoas já me disseram para não ficar bobeando com a câmera.
Por falar em clima, as estações daqui são muito parecidas com as do Rio. Não está um "calor senegalês", como muitos me perguntaram, porque o Senegal fica no hemisfério norte, ou seja, estamos no inverno. A temperatura está ótima, debaixo do sol é até bem quente, mas na sombra é muito agradável e à noite faz um leve friozinho. Mas voltemos ao centro.
Paguei um almoço para Samba e voltamos (ele para o centro, eu para casa). Ainda um pouco tenso, curti um ótimo jantar no hotel. Acho que é tudo uma questão de costume e adaptação, deixar a cidade me impregnar para que tudo ocorra bem. Digo isso com a lembrança do Marrocos em mente. Quando cheguei ao albergue em Marrakesh, tinha medo de sair e nunca mais conseguir voltar. Alguns dias depois, já estava me sentindo local, querendo ajudar os turistas perdidos.
Dakar há de ser parecido. O que começa em Samba não pode acabar diferente.
quarta-feira, 6 de janeiro de 2010
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