Saindo de Rabat, peguei o trem para Meknes, uma das quatro cidades imperiais do Marrocos. Eu ainda nao tinha comentado sobre isso, mas assim sao chamadas as cidades antigas mais importantes e que em algum momento da historia, ou ate em varios, foram a capital do país. Completam a lista Fez, Marrakesh e Rabat.
Meknes nao eh uma cidade tao legal quanto suas co-irmãs. Existem alguns bons lugares para se visitar na medina, mas infelizmente nao consegui me identificar com o lugar, que me serviu mais como base para ir às muito faladas ruínas romanas de Volubilis.
A maneira mais fácil e barata de se chegar ate lá eh pegndo um grand taxi, um tipo de taxi que voce divide com outras (cinco!) pessoas. Sao sempre mercedes muito antigas, que talvez um dia tenham vivido tempos de gloria. Hoje, servem apenas para transportar os marroquinos mais pobres ou turistas sem dinheiro como eu.
Por 10 dirhams (quase 1 euro), fiz a viagem de 30 minutos ateh Moulay-Idriss, um vilarejo nas montanhas, que fica proximo das ruínas. Pedi para saltar na bifurcação para Volubilis porque o guia Lonely Planet disse que era possível fazer uma 'agradável' caminhada de 45 minutos ateh lá. A outra opção era pagar 360 dirhams para um taxista me levar e me esperar para a viagem de volta. Ok, caminhemos entao!
O problema eh que o sol marroquino nao alivia nem mesmo no inverno. Sob um calor inclemente, segui a estrada em um trote forte rumo a Volubilis e apos 30 minutos cheguei à reta final, uma descida de uns 150 metros de onde se pode avistar as ruínas. No Brasil podemos dizer que 'para baixo todo santo ajuda', mas como no Marrocos nao existem santos, nao havia a quem recorrer. Ou melhor, havia sim. Ali, encontrei um senhor vendendo diversas coisas, como alguns objetos de ceramica, e fui atras de uma garrafa d'agua para comprar.
Porem, ele pensou que eu apenas estivesse pedindo por um gole e me ofereceu uma caneca da sua propria reserva, afinal, como me contou, era ali que ele habitava. 'Eu nao tenho agua mineral, tenho apenas agua natural'. Acho que isso queria dizer que ele pegava a agua em algum rio ou algo parecido, mas àquela altura do campeonato minha sede era tao grande que pouco me importava que tipo de agua era aquela. E alem do mais, o senhor estava sendo muito simpatico de me oferecer sua propria agua em troca de nada (dessa vez, realmente era um simples favor! Ele sequer perguntou se eu queria comprar algo). Saí de lá feliz como poucas vezes havia me sentido na viagem e desci os metros finais com a energia redobrada.
Em cerca de uma hora, talvez um pouco mais, voce percorre todas as ruínas de Volubilis. Acho que eu nunca tinha visto tao de perto o alcance e a grandiosidade do Imperio Romano. Existem trabalhos em mosaico preservados no chao do local que sao realmente interessantes. Logico que eu era o unico viajante solitario por ali, os outros eram quase todos europeus bem mais velhos em grupos enormes com guia, onibus luxuoso e tudo mais que o euro pode pagar. Ao brasileiro restava escutar de butuca um pouco das explicações!
Na volta, tentei em vao arrumar uma carona. Tive que encarar o longo caminho de volta ateh Moulay-Idriss para pegar o grand taxi da volta. Tudo bem, morei a vida inteira em uma ladeira, nao era agora que eu ia esmorecer. Correndo em alguns momentos, consegui chegar apos 25 minutos e muito suor no corpo. A temperatura certamente girava em torno de 35 graus e a subida nao eh para qualquer um. Mas esse eh o preço a ser pago por um mochileiro, que pelo menos pode apreciar o visual extrememente verde que ladeava a estrada.
Eu planejava passear por Moulay-Idriss, um tipo de vilarejo sagrado do Marrocos, mas apos subir bastante acabei desistindo. Para uma cidade sagrada, o lugar poderia ser melhor cuidado. Com tanto lixo pelas ruas e falta de sinalizacao, tomei meu caminho de volta a Meknes.
segunda-feira, 16 de março de 2009
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Ficou feliz com essa água aí até descobrir que tá com alguma ziquizira!! There's no free lunch, my friend! =P
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