Obtive sucesso até o determinado momento em que acordei assustado com a certeza de que já eram umas 8h30 da manhã. Levantei da cama e acho que comecei a falar alto 'caraca, ferrou, vou perder o avião'. Tenho a vaga sensação de ter repetido isso de pé, tentando abrir o cofre do quarto para pegar minhas coisas. E mais vaga ainda é a lembrança de a menina do quarto, a qual eu acordei, ter falado (olha só que maluquice) em português que na verdade era mais cedo do que eu imaginava. É lógico que essa segunda parte não aconteceu, mas acabei voltando para a cama e dormindo de novo. Acordei mais tarde com a mesma menina descendo da cama (talvez ela não tenha conseguido mais dormir depois que a acordei...) e com a certeza de que aquela era a hora exata para levantar, ou seja, 6h30.
Quase... Eram 5h30 mas só percebi a hora quando já tinha tirado todas as minhas coisas do escuro do quarto para o corredor e já estava até pronto para sair. Aproveitei o tempo que sobrava para bater papo com um uruguaio que parecia muito estar dando em cima de uma menina cuja nacionalidade desconheço, mas que só falava com ele em inglês.
Piquei minha mula e peguei meu avião na hora certinha. Mentira! Depois de tanto esforço da minha parte, a EasyJet teve a desfaçatez de atrasar o voo em uma hora. Dormi toda a 1 hora e meia que durou a viagem e enfim desembarquei na África!
Mais um susto com as 'ôtoridades'
Mal pus os pés em solo marroquino, fui tirar ainda na pista uma foto minha com o aeroporto ao fundo e um guarda veio lá de longe, na minha direção, falando árabe. Eu fiz cara de turista assustado e balbuciei alguma coisa em francês. Foi então que ele explicou que ali tinha uma base militar e eu não podia tirar foto, portanto que a apagasse da máquina. Com calma e parcimônia, liguei a máquina, mas a tela acusou 'trocar as pilhas'. Putz... E para explicar isso pro guardinha? Coloquei a mochila no chão e comecei a catar o outro jogo de pilhas, já meio afoito e começando a pensar que a salinha da imigração marroquina não devera ser tão bacana quanto a espanhola. Acho que aí o cara viu que aquele idiota atrapalhado estava longe de ser um espião querendo roubar segredos militares do Marrocos e me deixou ir.
Se o estádio olímpico Ninho do Pássaro e o Cubo D'água fossem para a cama e tivessem um filho, ele seria o aeroporto de Marrakesh. Para ir de lá à medina (centro histórico das cidades marroquinas, digamos assim), eu podia pegar um táxi ou o ônibus 11. Minha opção era pelo ônibus para economizar, mas como em qualquer aeroporto do mundo, vieram uns caras oferecer táxi. O meu Deus (Lonely Planet) dizia que a viagem não deveria custar mais do que 60 dirhams, o que dá cerca de 6 euros, ou 18 reais, e o taxista falava todo pimpão que a corrida era tabelada, 15o dirhams e nada menos.
Só que malandro é o pato, que já nasce com dedo grudado para não ter como colocar aliança, e eu avisei que não arredava o pé dali, ia de ônibus e estava muito feliz com minha decisão. Rapidinho, o preço começou a cair. 120, 110... e eu jogando a velha história de que era brasileiro, não europeu, e que eles fizessem um preço menos turístico (desde o mochilão no Peru que eu uso essa). Daí um terceiro taxista, falando em inglês, cochichou 80 dirhams para mim. Eu pensei com meus botões 'o guia deve ter sido publicado há uns três, quatro anos, e sabe como é a voraz inflação marroquina, né... Aquele preço estava ótimo!'
O 'Ninho D'água' do Marrocos

adorei a definição sexual para o aeroporto. abraço, rapá.
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